RSS

Arquivos mensais: Maio 2011

O Principezinho

Os alunos do 8ºA, também interagem no Projecto Individual de Leitura (PIL), no qual a aluna Daniela Gonçalves leu “O Principezinho”.

Antoine de Saint-Exupéry publicou pela primeira vez «O Principezinho» em 1943, quando recuperava de ferimentos de guerra em Nova Iorque, um ano antes do seu avião Lockheed P-38 ter sido dado como desaparecido sobre o Mar Mediterrâneo, durante uma missão de reconhecimento. Mais de meio século depois, a sua fábula sobre o amor e a solidão não perdeu nenhuma da sua força, muito pelo contrário: este livro que se transformou numa das obras mais amadas e admiradas do nosso tempo, é na verdade de alcance intemporal, podendo ser inspirador para leitores de todas as idades e de todas as culturas.

O narrador da obra é um piloto com um avião avariado no deserto do Sahara, que, tenta desesperadamente, reparar os danos causados no seu aparelho. Um belo dia
os seus esforços são interrompidos devido à aparição de um pequeno príncipe, que lhe pede que desenhe uma ovelha. Perante um domínio tão misterioso, o piloto não se atreveu a desobedecer e, por muito absurdo que pareça – a mais de mil milhas das próximas regiões habitadas e correndo perigo de vida – pegou num pedaço de papel e numa caneta e fez o que o principezinho tinha pedido. E assim tem início um diálogo que expande a imaginação do narrador para todo o género de infantis e surpreendentes direcções. «O Principezinho» conta a sua viagem de planeta em planeta, cada um sendo um pequeno mundo povoado com um único adulto. Esta maravilhosa sequência criativa evoca não apenas os grandes contos de fadas de todos os tempos, como também o extravagante «Cidades Invisíveis» de Ítalo Calvino. Uma história terna que apresenta uma exposição sentida sobre a tristeza e a solidão, dotada de uma filosofia ansiosa e poética, que revela
algumas reflexões sobre o que de facto são os valores da vida.

TITULO DIO LIVRO – O Principezinho

AUTOR – Antoine De Saint-Exupéry

EDITORA: Editorial Presença

 

Conversa com “O Principezinho”

Palavras eternas, teimosamente publicadas, para todas as pessoas crescidas que se esquecem destas “tão verdades”.

Anita Bonito

– Que quer dizer “cativar”?, perguntou o principezinho.

– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”

– Criar laços?

– Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…(…) A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! (…) Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Os homens esqueceram essa verdade,  mas tu não a deves esquecer. Tu  tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas

A Daniela Gonçalves, do 8º A, encontrou, no PIL,  o Principezinho e falou com ele.

CONVERSA COM PRINCIPEZINHO

            – Já chegamos? – Perguntava eu impaciente.

            – Tenha calma, menina, estamos quase a chegar. – Respondeu-me o meu assistente.

            Sou jornalista e adoro fazer reportagens em sítios diferentes. Desta vez, decidi ir ao deserto investigar as plantas que lá existem. Já sentia o calor do deserto a sufocar-me e não suportava mais a viagem de carro até à pensão onde me iria hospedar. Decidi levar apenas o meu assistente. Apetecia-me apreciar a viagem sem ter que dar conta de mim a ninguém, visto que nunca tinha ido ao Deserto do Sara.

           Depois de sair do quarto, levei o meu assistente comigo para tentarmos encontrar algumas plantas. Depois de atravessarmos uma grande parte do deserto do Sara, por fim encontramos um flor de três pétalas. Não sabia o nome, por isso desenhei-a para a conseguir estudar mais tarde. E aqui está ela:

             Quando demos por nós os dois, já tinha escurecido e era certo que já não encontraríamos o caminho de regresso à pensão. Alojei-me no carro da forma mais confortável que me foi permitida. Não consegui dormir. Estava com insónias, para não falar do ressonar ensurdecedor do meu assistente. Decidi então, sair do carro e olhar para as estrelas. Foi ali, no meio do deserto, que encontrei o principezinho. Estava escuro, mas mesmo assim consegui ver o seu cabelo cor de ouro a movimentar-se com o vento. Era um rapazinho. Levantei-me de um salto, quase como se alguma coisa me tivesse empurrado do sítio onde me encontrava. A muito
custo consegui perguntar-lhe, sobressaltada:

– Ah… ! Quem és? Que estás a fazer aqui?

– Desculpa, não te queria assustar. – respondeu com um daqueles sorrisos que faz com que qualquer coração duro amoleça. E continuou – Está tanto frio!

– Quem és tu? Estás perdido? – voltei a perguntar-lhe, desta vez à espera de uma desculpa razoável para um pequeno rapazinho se encontrar sozinho no meio do Sara.

Não me respondeu. Parecia estar distante donde nos encontrávamos.

– O meu sítio quase não se vê daqui. – apontou para o céu enquanto falava.

– Onde é o teu sítio? – Fazer uma pergunta destas a uma criança no meio do deserto, sozinha… Não me era tão difícil de acreditar que ele pudesse vir de outro planeta.

– E o teu onde é?

Não queria confidenciar-lhe.

– Onde? – tornou a repetir.

Virei-me para ele e disse:

– Sou de um país não muito longe daqui… Sou de Portugal.

– Ah… – suspirou, pensativo.

Dei o assunto encerrado. Não me pareceu que fosse responder, pois ignorava todas as minhas perguntas.

Sentou-se e eu dei-lhe a manta, na qual estava enrolada.

– Porque estás aqui? – perguntou-me passados alguns segundos.

– Eu e o meu assistente perdemo-nos. – olhei para o carro, de modo a que o rapaz percebesse de quem é que eu estava a falar – E tu porque estás aqui?

– A minha ovelha sente-se muito sozinha, – explicou-me, mostrando-me um desenho de uma caixa – e talvez tu me pudesses ajudar… Gosto muito da minha rosa e da minha ovelha. Mas a minha rosa não deixa que a minha ovelha se aproxime dela, sabes…? A minha rosa é muito caprichosa… Por vezes, encontro a minha ovelha muito triste. Não sei o que se passa com ela.

– Elas são muito importantes para ti, não são? – percebi assim que o rapaz terminou o seu discurso.

– Desenha-me outra ovelha, por favor… A primeira desenhou-me por um grande amigo meu. Por acaso não o viste?

– Amigo? No deserto? Não encontrei mais ninguém, a não seres tu.

– Hum… –  e entregou-me a folha que me tinha mostrado momentos antes com uma caixa desenhada.

No inicio, começou-me a irritar não me responder a nenhuma das minhas questões, mas depois percebi que aquele rapaz era muito teimoso e nunca respondia a nada do que lhe perguntassem.

– E onde está a tua ovelha?

– Aí mesmo: dentro da caixa… É melhor desenhares uma caixa maior para puderem caber as duas. – esclareceu-me.

Esforcei-me o máximo que pude.

– Obrigada! – agradeceu – É melhor assim…

– A rosa é tua amiga? Tenho a certeza que deves gostar muito dela… – tentei saber mais.

– Gosto, ela cativou-me, tal como a raposa na última vez que vim à Terra. A minha rosa é muito orgulhosa, mas também é muito bonita… Mas 
uma velha amiga ensinou me: “o essencial é invisível aos olhos”… – contou-me, parecendo feliz por ainda se recordar.

Ficamos durante alguns momentos em silêncio. Perguntei-me sobre o que ele estaria a matutar.

– Então e quem é a raposa de que falas? E o teu amigo que desenhou a ovelha?

– Conheci-os, perto daqui… Sinto saudades… Pensei que se viesse ao local onde nos conhecemos, os iria encontrar… – não falou mais.

Penso que começou a choramingar, mas estava escuro e não sabia ao certo se isto era um facto. Aconcheguei-o junto a mim.

            – Gostava muito de os voltar a ver… Foi muito importante para mim ter conhecido-os… Decerto, tu também tens amigos… – procurou saber.

            Parecia tudo mais fácil visto aos olhos duma criança. Ele olhou-me com desconfiança e afirmou:

            – Os adultos não devem compreender-te. Pareces ser muito mais parecida comigo do que com eles; eles não entendem nada sozinhos e nunca querem saber do essencial. Os adultos são mesmo muito estranhos, não é?

            Fiquei surpreendida com o seu pequeno discurso.

            – Talvez… – não sabia ao certo o que havia de lhe responder.

            – Tenho de regressar em breve. Agora que levo companhia para a minha ovelha, tenho de voltar para o meu sítio, para poder tratar da minha rosa e dos meus vulcões.

            – Mas ainda nem me disseste o teu nome… Porque não te vais embora de manhã? – não queria que aquele rapazinho se fosse embora.

            Queria saber mais sobre a sua vida e sobre ele.

            – O meu nome é Principezinho… Não posso ficar mais tempo. A minha rosa vai pensar que a abandonei e não a quero deixar triste. – olhou para as estrelas, como se visse a sua rosa entristecida.

            – Oh, bem, então… Desejo-te uma boa viagem!

            Sorriu-me e disse:

            – Quando olhares para as estrelas, lembra-te que eu vivo numa delas e lembra-te que eu nunca me esquecerei de ti: fizeste com que a minha ovelha não se sentisse sozinha e por isso, estou-te muito agradecido.

            Não consegui responder. No entanto, ele sorriu como quem agradece… Mas que Principezinho tão alegre me saiu… E fiquei a ver o Pincipezinho a caminhar sozinho pelo deserto. Deitei-me na areia a olhar para as estrelas, a pensar no que ele me tinha dito.

           No outro dia de manhã, não conseguia acreditar que tudo tinha sido um sonho. Mas também não me pareceu que tivesse sido realidade. Fui acordar o meu assistente, que ainda se encontrava no carro… Talvez ele o tivesse visto também… Mas ele disse-me que não tinha visto ninguém. Já era de dia e demos com a pensão não muito longe do local onde nos tínhamos perdido.

            Esta embrenhada nos meus pensamentos. Eu não podia ter imaginado tudo aquilo. Ninguém iria acreditar em mim. Não me importava. Tinha conhecido uma criança que me ensinara coisas mais valiosas que o ouro, em poucas horas! E disso, meus amigos, eu estava certa de que não me iria esquecer… !

 

Diário de Anne Frank

     Os alunos do 7ºano estiveram a desenvolver um Projecto Individual de Leitura (PIL), no qual tiveram que ler um livro, por período. A aluna, Isabel Francisco, do 7º B, leu o “Diário de Anne Frank”.

     Foi publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa do pai de Anne Frank, o Diário veio revelar ao mundo o que foi, durante dois longos anos, o dia-a-dia de uma adolescente condenada a uma voluntária auto-reclusão, para tentar escapar à sorte dos judeus que os alemães haviam começado a deportar para supostos «campos de trabalho». Tentativa sem final feliz. Em Agosto de 1944, todos aqueles que estavam escondidos no pequeno anexo secreto onde a jovem habitava foram presos. Após uma breve passagem por Westerbork e Auschwitz, Anne Frank acaba então por ir parar a Bergen-Belsen, onde vem a morrer em Março de 1945, a escassos dois meses do final da guerra na Europa. Traduzido em 67 línguas, este documento excepcional, de que a Livros do Brasil se orgulha de lançar agora a edição definitiva, vendeu já mais de 31 milhões de exemplares e é, seguramente, um dos livros mais lidos, discutidos e amados de toda a história do mundo. Importa enfim acrescentar que esta edição definitiva contém toda uma série de passos que haviam sido omitidos por decisão do pai, que não tinha querido que alguns comentários de Anne Frank relativos à mãe fossem divulgados. O resultado final é um retrato extraordinário de uma adolescente em busca da sua identidade, durante um dos mais trágicos períodos jamais vividos pela humanidade.

TITULO – Diário de Anne Frank

AUTOR – Anne Frank

EDITOR – Livros do Brasil

 

Conclusão do Diário de Anne Frank

20 DE OUTUBRO DE 1944

Querida Kitty,

     Esta poderá ser a última vez que te escrevo, ou talvez não. Não tenho mais papel nem tinta e nem modo de os poder arranjar enquanto estiver nesta terrível situação.

     Espero que a minha vida e o meu sofrimento, não tenham sido em vão assim como o de milhares de judeus injustamente sacrificados neste verdadeiro holocausto.

     Se conseguir sobreviver a esta antecâmara da morte pretendo relatar em livro a mais vil história de crueldade, ódio intolerância e racismo jamais vivida pela humanidade.

Tua Anne M. Frank

 

Continuação do Diário de Anne Frank

15 DE OUTUBRO DE 1944

Querida Kitty,

     Eu, a Mamã, Margot, Judy e a sua mãe fomos colocadas no Bloco 29. É um barracão com cerca de 44 metros por 8,5 e uma casa de banho primitiva. As tarimbas são três beliches colocados uns sobre os outros, sem espaço suficiente para uma pessoa se sentar. São feitas de madeira grosseira, cobertas por colchões de palha ou simplesmente palha solta. Em cada uma há dois cobertores. Tanto os cobertores como os colchões de palha estão imundos. Frequentemente escorrem fezes e urina de uma tarimba para outra, de prisioneiros doentes, sofrendo de fome e diarreia. O chão de terra é um lamaçal de excrementos.

     O caminho para o trabalho demora meia hora a partir do nosso bloco. O trabalho consiste em cavar uma área relvada em cima de um monte de terra. É algo completamente sem sentido mas os guardas correm connosco, constantemente, gritando: “Depressa! Mais depressa! E batem naquelas que desobedecem. Às 12,30 são transportadas para dentro do campo grandes tinas de sopa. Cada uma de nós ergue a sua tigela e recebe uma concha de um líquido verde. Durante meia hora bebemos das tigelas e depois regressamos a mais seis horas de trabalho. Pelas 7,00 horas da tarde regressamos ao campo. A refeição da noite consiste numa fatia de pão e um bocadinho minúsculo de margarina.  Às 9,00 h da noite os apitos soam e deixam-nos entrar nos barracões para tentar dormir nas seis horas e meia seguintes.

Tua Anne M. Frank

 

Continuação do Diário de Anne Frank

Querida Kitty,

      Aqueles primeiros momentos quando as portas do comboio se abriram foram maravilhosos. Podíamos agora, depois de três dias horríveis de viagem, respirar um pouco de ar fresco e movermo-nos livremente. Mas como foram breves esses momentos!

     Por cima do som do comboio que se esvanecia lentamente, um altifalante rugiu:

     “Mulheres para a esquerda! Homens para a direita! Todos os homens foram reunidos e conduzidos para outra zona do campo e as mulheres obrigadas a formar colunas de cinco.

     O altifalante rugiu novamente: “É uma hora de caminhada até ao campo das mulheres. Para as crianças e doentes há camionetas.” Os camiões estavam pintados com cruzes vermelhas e as pessoas correram para eles. Dentro de poucos minutos tinham desaparecido. Os Alemães são astuciosos, ao chamarem os mais velhos, os mais jovens e os doentes para aqueles camiões estavam a fazer uma espécie de selecção natural porque aqueles camiões os transportavam directamente para as câmaras de gás. As mulheres foram obrigadas a caminhar rapidamente até chegarem a um portão por cima do qual letras de ferro têm a seguinte inscrição: “O trabalho liberta”. Passámos pelo, portão sob o brilho das cercas electrificadas. Silhuetas escuras estavam imóveis nas Torres de vigia. Esta é a entrada para BirKenau, o terminal da morte em Auschwitz a maior fábrica de morte de todos os campos de concentração nazis. Foi uma loucura aquele momento em que nos apercebemos realmente de que estamos num campo de extermínio!  E o efeito horrível das luzes, muito brilhantes e sujas e o céu cinzento por cima, mais ou
menos iluminado, parece o verdadeiro inferno!

 Tua Anne M. Frank

 

Continuação do Diário de Anne Frank

DOMINGO, 10 DE SETEMBRO DE 1944

Querida Kitty,

     No princípio de Setembro o comandante do campo, Gemmeker, convocou os chefes de secção e deu-lhes instruções para compilarem uma lista de 1.000 pessoas para uma nova deportação para leste. O comboio partiria na manhã do dia 3 de Setembro de 1944.

     Na noite anterior um oficial alemão entrou no barracão disciplinar e leu os nomes da lista. Entre eles estávamos o papá, a mamã, eu e a Margot assim como os van Pels e Dussel.

     Durante a noite embalámos as poucas coisas que nos tinham permitido guardar connosco. Todos embalaram o que tinham apesar de mais tarde nos terem tirado tudo. Não tínhamos realmente a mais pequena ideia de como o tratamento em Auschwitz seria brutal. Às sete da manhã mulheres e crianças começaram a sair dos barracões. Os nomes eram chamados, os documentos do campo eram recolhidos, todos fomos postos em filas e um silêncio de morte caiu sobre o campo.

     No chão dos vagões apinhados de gente havia palha. Em cada carruagem havia também um pequeno balde com água para beber e um balde maior que servia de casa de banho. As carruagens cheiravam mal logo no princípio da viagem, e mais tarde esse cheiro tornou-se insustentável, quando os mais fracos começaram a morrer.

     Sempre que o comboio parava um guarda abria a porta e despejava lá para dentro um balde de doce de beterraba e uns pedaços de pão.

     No terceiro dia de viagem o comboio começou a abrandar. Os passageiros levantaram-se e prepararam-se para sair. Um murmúrio de orações encheu todos os vagões. Foi a última vez que vimos o papá. Cada um de nós tentou ser tão corajoso quanto possível e não baixar a cabeça.

Tua Anne M. Frank